sexta-feira, 15 de abril de 2011

A educação brasileira: uma breve reflexão

Olá caros leitores,

Sei que tem muito tempo que não escrevo aqui. Não que eu tenha perdido o costume de escrever. Na verdade meu tempo é que está escasso. Estou cursando o mestrado em Modelagem Computacional e este ano preciso me dedicar bastante para realizar um bom trabalho para minha dissertação.

Cursar o mestrado me fez refletir muito sobre a educação brasileira. Eu vivi na pele a dificuldade de chegar neste grau de instrução, mas esta dificuldade não foi me revelada pelas complexas disciplinas do mestrado ou pela minha falta de capacidade em aprender. Na verdade minhas reflexões me trouxeram a certeza de que as disciplinas não são complicadas e que eu não tenho dificuldade de aprendizado. O problema é pior, vem de berço, e o meu caso ainda é muito mais ameno do que o de tantas outras pessoas.

Pode parecer clichê afirmar que a qualidade da educação brasileira é ruim. Na verdade eu mesma disse isso muitas vezes sem um motivo real. Reclamar é muito fácil. Mas hoje eu tenho uma ciência muito mais clara dos fatos. E é parte dessa ciência que gostaria de transmitir com este post.

Vários fatores contribuem com a baixa qualidade da educação. A situação é ruim para todas as classes sociais. Basta um único professor estar descompromissado para que falte base no futuro de um aluno. Mas, obviamente, os professores não são culpados, porque eles mesmos passaram por dificuldade semelhante. Além disso, existem fatores como a pobreza, a falta de incentivo dos familiares, a falta de incentivo do governo, a falta de transporte escolar, entre tantos outros, que contribuem para o aumento desta questão.

No ensino público obviamente o problema tem maior dimensão. E essa dimensão só se amplia com o passar dos anos escolares. A matemática é um ótimo exemplo disso. Nunca existe tempo suficiente para o professor terminar a ementa destinada para um ano, normalmente porque ele precisou esperar os alunos que carregavam déficits dos anos anteriores para manter um equilíbrio na turma. No ano seguinte todos os alunos possuem déficits. Agora, imagine a quantidade de déficits acumulados nos 3 anos do ensino médio...

Para esconder o problema o governo inventa várias soluções de contorno: cotas universitárias para negros e estudantes de colégios públicos, bolsas para faculdades particulares, término do ensino médio utilizando somente o resultado do ENEM... Tudo isso para dizer que nós temos cada vez mais brasileiros que possuem ensino fundamental, médio, curso universitário.

Creio que não é necessário dizer que nada disso resolve o problema. Estas ações servem somente para aumentar as porcentagens positivas, aquelas que tentam impressionar os países ricos, ainda que estas porcentagens não demonstrem a realidade do país.

Apesar da minha revolta, tenho esperança de que um dia cada um possa ser o que quiser neste país. De que um dia a educação brasileira será ao menos quase igualitária, não terá diferença de raça, credo ou classe. Não será utilizada como uma mera propaganda positiva frente aos outros países, escondendo o lado negativo que só é observado por quem realmente sofre o problema.

Certamente fico devendo à vocês meus leitores uma dezena de posts sobre esse assunto. Peço que me desculpem por isso. Porém espero ter plantado uma única semente em vocês. A semente da reflexão sobre como você brasileiro sofre ou sofreu com isso e como pode fazer algo para melhorar esta situação.

De minha parte hoje creio que mostrar as crianças que existe uma gama de profissões desconhecidas por elas e que elas podem ser o que quiserem se tiverem base para qualquer área é peça fundamental dessa mudança (algum dia escrevo aqui sobre como cheguei a essa conclusão). Assim, cada vez que tenho oportunidade, conto todas as alegrias e tristezas de ser uma programadora ou uma cientista (mesmo que eu ainda esteja engatinhando neste ramo) para os meus amiguinhos de 7 a 20 anos.

Se você já tem algum plano para melhorar a educação dos que estão a sua volta, compartilhe conosco. Deixe seu comentário no blog!

Nenhum comentário: